Cimento Queimado

Foi-se o tempo em que o uso do cimento queimado era apenas para ambientes rústicos, casas de campo ou praia, ares de casa simples. O cimento queimado hoje está com tudo, e trazendo uma re-leitura das décadas de 70 e início de 80, com muito mais beleza e plasticidade.

É muito comum encontrarmos este material empregado nas casas mais contemporâneas possíveis e em todos os ambientes, seja living, cozinha, quartos ou banheiros. E mais, as paredes hoje têm ganhado a aplicação do material, que trás uma super sensação de aconchego e modernidade. Bom, isso se não falarmos das bancadas de pias de banheiros, cozinhas, churrasqueiras, enfim… Dê asas a sua criatividade!

Agora tem a melhor parte: O material tem um custo bem interessante se comparado a outros materiais similares, e uma boa resistência. Apenas não segue a mesma regra quando aplicado em paredes. Para um trabalho bem executado e com misturas mais adequadas, ainda cobra-se um valor mais salgadinho… Mas com o tempo, acreditamos que isso também deverá mudar.

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Para a sua execução é necessário contratar mão de obra muito habituada a executá-lo, para não ter dores de cabeça frequentes. A base do piso, ou contrapiso, é feita em concreto, como em qualquer outro caso e, por cima dela, aplica-se uma camada de argamassa (nas proporções 3:1:0,6 de areia, cimento e água), como se a intenção fosse a de assentar um revestimento cerâmico.

O grande vilão do cimento queimado são as fissuras, que enfeiam o piso e exigem manutenções periódicas. Para evitá-las, a dica é jogar uma mistura a que chamamos de ‘nata’ batida no momento da aplicação. Ela vai sobre a argamassa ainda úmida. A “nata” nada mais é que uma mistura de cimento com água e pigmento mineral (conhecido no mercado como “pó xadrez”) – que poderá ser vermelho, azul, verde, cinza. A umidade de ambas as camadas em contato (argamassa e nata batida) garantirá aderência ao cimento queimado.

O truque para não ter o chão trincado é misturar cola branca à nata batida, na proporção 1(cimento): ¼ (cola): ¼ (água). É preciso ser muito cuidadoso e utilizar um misturador mecânico, que funciona como uma batedeira de bolo, para a nata sair bem homogênea. Juntas de dilatação terão de ser providenciadas a cada dois metros de extensão de piso e podem ser feitas com restos de mármore ou madeira bem seca. É possível ainda assentar ladrilhos hidráulicos, mosaicos decorativos e fazer desenhos sobre o cimento molhado.

Para finalizar o processo, quando o piso estiver seco, é preciso aplicar cera ou resina. Antigamente, sobre o vermelhão, era comum aplicar a cera vermelha. Quem preferir o cimento queimado manchado, mais rústico ainda, basta aguardar o acúmulo de água sobre a camada de argamassa em processo de secagem para borrifar sobre ela o pigmento mineral (pó xadrez). Nesse caso, não é necessário o preparo da camada de nata batida.

Escrito pela Arq. Vanessa Prado Lopes – vanpradolopes@hotmail.com